14 de jun de 2013

Tumblr - O que não sai na TV

Recomendaçao de um Tumblr muito bom que o Lucas me passou hoje pela manha e to repassando pra voces. Chama o que não saiu na TV, e reproduz na integra textos que sao enviados pelos internautas e nao o que somente é mostrado com opniões tendenciosas e as meia verdades encobertas e manipuladas pela midia em geral. Vale a pena ver o outro lado da moeda tambem.


Abaixo, repassei um dos textos que foram postados no Tumblr


SEM VIOLÊNCIA!
por Raquel Encinas
Ontem cerca de 16h me encontrei com meu namorado e mais dois amigos em sua casa, estávamos decidimos a participar do protesto. Posso falar com convicção que nós quatro não temos ligação alguma com partido político algum, assim como muitas das milhares de pessoas estavam ali também não tinham. Em meio às muitas ridicularidades que li à respeito das manifestações que vem ocorrendo é que elas são puramente de fundo político e eu posso dizer: NÃO. Existiam muitos partidos ali no meio? Sim. Bandeiras de partidos? Sim, mas isso de maneira nenhuma representa todas as pessoas que ali estavam.  Por volta das 17h15 chegamos nas proximidades do Theatro Municipal e logo em uma das ruas que dava acesso a praça onde se localiza o teatro muitos policiais pediam para revistar as mochilas de quem passava. Ao nosso redor lojistas olhavam e muitas pessoas se dirigiam em direção ao teatro. Um policial me parou pediu para que eu abrisse minha bolsa. Na bolsa só levava roupas e uma carteira (mais tarde me arrependeria e muito de não ter levado o vinagre) então ele nos deixou ir. Chegando ao teatro fiquei quase decepcionada, achei que o número de pessoas seria muito maior; Por todos os lados pessoas com cartazes, e do meio da multidão os organizadores com megafones gritavam frases como “Mãos para o alto, 3,20 é um assalto!”. O tempo foi passando e mais e mais pessoas foram chegando, e eu não sei quando aconteceu mas sei que depois de um tempo realmente era uma MULTIDÃO e ai, minha decepção passou. Cada vez os gritos ficavam mais fortes, as pessoas mais - por que não?! - empolgadas. Olhava para os lados e havia muita gente, de todo tipo, mas em sua maioria jovem mas mais tarde eu entenderia porque tantos jovens. Finalmente, o grito “Vamos para a rua!” e então toda aquela multidão (nunca tinha visto tantas pessoas juntas) foi andando. O trajeto eu praticamente não recordo, era muita gente, ficava difícil até mesmo se localizar mas passávamos pelas ruas do centro, as lojas todas fechadas e muitas pessoas olhavam das janelas; nós não queríamos assustar ninguém, muito pelo contrário, o que mais gritávamos era “Vem, vem pra rua vem contra o aumento, vem!”. Quando passava perto das pessoas que só olhavam, na rua, ou tiravam fotos eu REALMENTE as convidava, porque aquela pessoa ali parada é tão cidadã quanto eu e quanto você ai, lendo meu relato. Chegamos perto da república e muita, muita gente andando, e gritando, em coro. Achava meio ridículo quando lia relatos dos outros manifestos pessoas dizendo “Foi lindo!” e bom, eu devo admitir, era bonito de se ver, tanta gente, junta, por uma causa. Infelizmente vandalismo existe, mas vi muito pouco. Um dos poucos foi uma moça que estava pixando um ônibus quando estávamos na república e começou uma discussão em meio aos manifestantes, ela brigando com outra pessoa que eu nem conseguia ver, a pessoa falando pra ela não fazer aquilo mas, bem, cada um com sua consciência. Seguimos, não sei dizer nem por onde, era muita gente. Passávamos em meio aos carros, alguns motoristas rindo de nossas caras, alguns apoiando mas meio que tirando sarro. Quando eu via uma janela aberta, não me assustava, metia a cara e chamava “Vem !”, alguns pessoas riam, algumas se assustavam, mas infelizmente nenhuma saiu do carro por minha causa, mas não imaginei que iriam sair mesmo. Andamos mais um pouco, paramos por um tempo em uma praça e, nem me lembro como, mas chegamos nas proximidades da Praça Roosevelt. A intenção era chegar até a Paulista para conseguir maior visibilidade, além do que as ruas do centro são muito pequenas, é um enorme labirinto aquilo, e ficava perigoso para nós, manifestantes, ficarmos por lá, sem contar que a imprensa dificilmente chegaria até lá. E é ai que o tumulto começou. Eu estava no meio, não posso dizer quem começou o que, mas posso dizer que até esse momento tudo que eu ouvia era “Sem violência!” e o nosso “Vem pra rua!”. Não vi ninguém jogando nada em ninguém e tudo parecia uma grande passeata que havia parado o trânsito, somente isso. Eis que começa uma bagunça, pessoas correndo desesperadas enquanto outras gritavam, mais desesperadas ainda, no mesmo lugar “Calma gente, calma! Não corre! Alguém pode se machucar, NÃO CORRE!”. Fiquei em pânico e meu amigo que se meteu lá no meio sem saber o que esperar, coitado, acho que quase morre do coração. Meu namorado e nosso outro amigo continuavam até que bem calmos, felizmente. Aquilo virou uma zona. Só se via gente correndo, e logo a frente, a polícia, soltando bombas de gás lacrimogênio. Corremos para um canto na rua em que estávamos, e meus olhos ardiam, eu não sabia se abria ou se fechava meu olhos, estava completamente deslocada, havia MUITA gente, e muita gente com medo, o que era de se esperar. Muitas pessoas ficaram lá no canto, espremidas, escondendo seus rostos, perguntando se alguém tinha vinagre (o vinagre ajuda a amenizar os efeitos causados pelo gás). Felizmente, pude contar com a bondade de muitos dos outros manifestantes que haviam levado vinagre, diferente de mim. Eles estavam lá no meio gritando, perguntando se alguém precisava de vinagre. A sensação era horrível, mas não somente a física, mas psicológica acho que principalmente, era uma sensação de desespero como se aquilo nunca fosse acabar. O medo era muito, eu ficava o tempo todo preocupada com meu amigo que me dizia que queria ir embora.. Tolinho, não tínhamos pra onde correr. Depois disso, fomos para a praça. Subimos as escadarias, a polícia havia cercado a rua em que estávamos, só tínhamos como ir para o outro lado. Paramos um pouco na parte de cima da praça e eu vi aquela multidão toda lá em baixo. Pessoas com medo, outras, sem medo algum ao que parecia e um coro gritando “Sem violência! Sem violência!” e algumas vezes um coro gritando “Polícia, facista!” que naquele momento, fazia todo o sentido. Continuamos a andar e então vimos que a intenção era tentar chegar à Paulista subindo a Augusta. Péssimo plano, diga-se de passagem. A Rua Augusta, para os que não conhecem, é apertada e só tem comércio - todos, obviamente, fechados. Umas obras aqui, uns estacionamentos ali, algumas pessoas de dentro desses lugares olhando e a multidão subindo a Rua Augusta. Muita, muita, muita, muita gente. Era pacífico. Pelo menos, por onde passei, até o momento, não vi depredação, não vi brigas, nada do tipo. Era uma passeata, mas sendo duramente deprimida. Chegando em certo ponto da Rua Augusta novamente o desespero. Lá em cima, a tropa de choque da polícia. “Pronto, morri, fudeu!” é o seu primeiro pensamento. Aquela zona denovo, todos correndo desesperados, e outros pedindo pra ter calma. Mas nós continuávamos tentando avançar. Decíamos um pouco, e depois voltamos. A multidão gritando “Volta! Volta!”. Algumas vezes parávamos, para esperar parte da multidão que estava um pouco mais pra trás. Mas então que começou a chegar um momento um pouco complicado. Em cima, a tropa de choque, MUITO perto de nós e embaixo, a cavalaria. Em poucas palavras, nos cercaram. Corremos feito loucos da cavalaria. É uma pressão psicológica louca. E na frente barulhos de bombas, ou de balas, mas sei que barulhos que assustavam, muito. Então todo mundo começou a gritar “Pra direita” e todo mundo virou em uma outra rua. A intenção era SOMENTE chegar na Avenida Paulista, e andávamos, gritando, pedindo, para que as pessoas se juntássem a nós. Nós não estávamos errados, era pacífico, pelo menos no que eu via. Eu nem sei por onde nem como mas chegamos próximos da Rua da Consolação. Ali, vi algumas barricadas feitas pelos manifestantes, lixo pegando fogo e coisas do tipo, provavelmente para tentar impedir que a polícia avançasse por aquela rua. O medo era grande. Muito barulho por toda volta, nossos gritos, barulho de bombas, de helicópteros. Eis que chegamos na Rua da Consolação, ai pelo menos pra mim, foi impossível controlar… A cada momento meu amigo ficava mais desesperado, dizendo pra mim que queria ir embora e eu tentava explicar pra ele que NÃO TINHA COMO. Porque, realmente, não tinha, nós estávamos cercados na consolação. Todo o momento eu ficava preocupada com ele, comigo, em não soltar a mão do meu namorado pra não me perder, em ver se nosso outro amigo ainda estava lá, em ver se a polícia se aproximava. E nós continuamos com a multidão. Eu nem se quer reconhecia a Consolação, se eu acreditasse em inferno poderia dizer que era um pedacinho dele. A violência da polícia era cada vez mais clara e ai eu comecei a entender a revolta de tantos manifestantes que foram nos outros protestos do qual eu, infelizmente, não participei. E nós gritávamos “Sem violência! Sem violência!”. Ouvíamos bombas, e víamos, de longe, a fumaça. Naquele monte de gente sei que uma hora ficamos MUITO perto da polícia, e nos sentamos. Pedíamos para que as pessoas sentassem, para que assim, a polícia parasse. Mas a polícia não parou. Eu levantei e vi que estávamos muito perto, e gritei pra corrermos. Eu sabia do perigo que era ficar lá perto, não só pelas bombas, pelas balas, mas mesmo pela prisão. Eu, que estava lá, andando, pedindo pela não violência, andando com meu namorado e mais dois amigos, poderia ir presa. Então, de uma hora pra outra, todos que estavam sentados levantaram e saíram correndo para o outro lado. Corríamos desesperados pela consolação, nem sei em qual direção. Sei que eu olhava pra trás, a fumaça, a polícia. Eu e as pessoas que estavam comigo eramos umas das últimas pessoas naquela multidão, as mais próximas da polícia. Corria, desesperada. Meu olho ardia, era horrível, MUITO pior do que da primeira vez. Jogavam muitas bombas. Algumas pessoas, bem corajosas, tentavam afastar as bombas. Eu não conseguia enxegar, respirar, eu não sabia nem para onde estava andando mais, mas estava. Não sabia se abria ou se fechava meu olhos, morria de medo de cair - coisa que quase aconteceu - porque naquele desespero todo cair com certeza é bem pior do que levar uma bala de borracha. E ficou nisso por um bom tempo, não sei quanto. E a fumaça continuava, e nós nos aglomerávamos, e a polícia também vinha de cima agora. Todos tentando ir para os cantos, quando mais aglomerado mais protegido, querendo ou não. Dispersar é o que eles queriam, mais que isso, que nós fossemos embora mas simplesmente NÃO DAVA, não havia lugar pra correr, era muita gente, aquele gás horrível que ardia meu rosto inteiro. Nessa zona nos perdemos de um dos nossos amigos, felizmente, não do que estava desesperado, esse ainda estava la, me puxando, dizendo que queria ir embora, mas é, não havia como. Ficamos num canto, com muita gente, enquanto a polícia ainda soltava bombas. Eu não conseguia enchegar nada, não conseguia respirar direito, haviam policiais na parte de cima e de baixo. E de repente, no meio disso tudo, pra melhorar, acho que desmaiei. Claro, não lembro bem, lembro que era a pior sensação que eu já havia sentido na minha vida, tudo ardia, e eu fui ficando mole. Gritava louca pro meu namorado ‘Me tira daqui, porfavor!’, sinceramente, achei que iria morrer. Agora vejo que era exagero meu, felizmente, o efeito do gás passa rápido, mas é horrível. Lembro de ouvir meu namorado falando que eu estava desmaiando, tentei abrir o olho e vi as pessoas formando uma roda ao meu redor mas depois disso acho que realmente apaguei. Meu namorado me contou que um rapaz espremeu um vidro de vinagre na minha cara e devo dizer, sou muito agradecida a esse rapaz, e a todas aquelas pessoas que, mesmo naquele desespero, todas ferradas, se sentindo mal, ainda ouviram o desespero do meu namorado e abriram uma roda ao meu redor e tentaram me ajudar. Acordei, super mal, mas com o tempo a sensação do gás havia passado, só sobrava a náusea porque como se não bastasse o ardor e a cegueira, a vontade de vomitar que aquele gás dava era imensa. Depois do desmaio, vi que pra mim não dava mais, mas ainda precisávamos sair dali. Eu estava desesperada, meu namorado preocupado e meu amigo, coitado, nem se fala. Felizmente, perto do lugar que eu desmaiei, tinha uma esquina e muitas das pessoas estavam virando ali. Fomos naquela direção, eu ainda horrivelmente tonta e me sentindo muito mal, ouvindo os barulhos de explosões. Eis um momento ridículo: passamos ao lado de um restaurante, nós lá praticamente implorando pela não violência, a polícia soltando bombas, e as pessoas do restaurante nos olhando enquanto jantavam, como se a janela do restaurante não passasse de uma tela de televisão. Foi uma situação ridícula, EU me senti ridicularizada, COMO que essas pessoas não conseguem sentir NADA? Era só olhar pra qualquer pessoa. Que olhasse pra mim, meu rosto e meus olhos vermelhos e lacrimejando, e as pessoas lá, jantando, olhando pra fora, somente. Enfim, aquela zona acabou, pelo menos pra mim e para meu namorado e meu amigo, já que nosso outro amigo havia se perdido de nós a muito tempo. Aquela rua dava na avenida Angélica onde muitos manifestantes subiam e nós, infelizmente, descemos. Eu estava mal, sim, mas principalmente preocupada com meu amigo que ficava o tempo todo me dizendo que queria ir embora, sentia que PRECISAVA tirar ele dali, eu me sentia responsável por ele apesar de ele ter minha idade. Descemos a Angélica, contra o fluxo, e depois fomos embora. A conclusão que eu chego é que a polícia agiu com uma violência COMPLETAMENTE desnecessária. Repito, em momento algum eu pratiquei QUALQUER ato de vandalismo ou algo do tipo. Todos os momentos o que eu fiz foi andar, e acompanhar o coro e, claro, fugir da polícia e das bombas. Eu deveria ser presa por isso? Eu merecia ter passado por isso? Acredito que não, isso pra mim é liberdade de expressão e era justamente isso que a polícia estava tentando impedir. Mas claro, todos nós sabemos que não era SÓ a polícia que estava tentando nos impedir, o trabalho deles é aquele, eles só estavam executando ordem de pessoas que REALMENTE querem nos calar.


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