2 de mai de 2012

Museu da Lingua Portuguesa ( Exposição temporária) JORGE AMADO


A exposição Jorge Amado e Universal, que faz parte das comemorações oficiais do centenário de nascimento do escritor, é uma realização da Grapiúna e da Fundação Casa de Jorge Amado, em parceria com a Secretaria de Cultura do Governo de São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa.

O desenvolvimento e organização da mostra é da Nacked & Associados Mercado Cultural sob direção geral de William Nacked. Ana Helena Curti responde pela coordenação geral de conteúdo da exposição já Daniela Thomas e Felipe Tassara são o responsáveis pela expografia.

Com acervo pertencente à Fundação Casa de Jorge Amado e à família do célebre escritor, Jorge Amado e Universal fica até 22 de julho na capital paulista, seguindo posteriormente para o Museu de Arte Moderna da Bahia em Salvador. A exibição nestas cidades conta com patrocínio do Banco Santander.

Em São Paulo a exposição conta com o apoio institucional da TV Globo.
“Essa exposição é um desafio prazeroso de cumprir, tendo em vista a importância e alcance do homenageado e de sua obra. Buscamos elementos para que o público mergulhe em um vasto repertório de conteúdos sobre o homem, o escritor e a obra”, relata William Nacked, diretor geral da iniciativa.

Para Antonio Carlos de Moraes Sartini, Diretor do Museu da Língua Portuguesa, a mostra “é motivo de grande orgulho para o museu, que assim, se torna mais brasileiro ainda, já que aproximará do grande público um dos autores nacionais que mais bem retratou o nosso povo através de suas aproximadamente 5.000 personagens criadas, cheias de grandezas, fraquezas, de sabedoria popular, donas de uma sensualidade encantadora,repletas de malícia,fé e esperanças. Ainda, segundo o diretor “ a obra deste querido autor baiano ajudou a difundir a cultura brasileira, pois seus livros foram publicados em mais de 50 países e versados para 49 idiomas”.

Sobre a exposição

A mostra está dividida em módulos distintos, cada um deles dedicado a um aspecto marcante na vida do autor. Não existe a pretensão de esgotar nem a biografia, nem a criação ficcional de Jorge Amado. A ideia é fornecer pistas, sugerir caminhos, para que o visitante fique instigado, tenha vontade de ler e de descobrir mais depois da exposição, aliás, esta é uma característica sempre presente nas exposições realizadas no Museu da Língua Portuguesa.

O primeiro módulo é dedicado aos personagens –nove,entre tantos, foram escolhidos por representar a diversidade e abrangência da obra em diversos períodos: Gabriela e Nacib (Gabriela Cravo e Canela, 1958), Dona Flor (Dona Flor e seus Dois Maridos, 1966), Os capitães da areia (Capitães da Areia, 1937), Pedro Arcanjo (Tenda dos Milagres, 1969), Antonio Balduíno (Jubiabá, 1935), Guma e Lívia (Mar Morto, 1936), O Menino Grapiúna (O Menino Grapiúna, 1981), Santa Bárbara (O Sumiço da Santa, 1988) e Quincas (A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, 1961).

Eles estão em destaque em materiais audiovisuais que ajudam a contextualizar a obra do escritor e introduzem o visitante ao universo ficcional de Jorge Amado.Neste módulo, os visitantes encontram datiloscritos com correções feitas à mão por Jorge Amado, ilustrações das obras, fotos que remetem ao universo dos romances e algumas curiosidades, como produtos e restaurantes que levam nomes dos personagens. Vários monitores apresentarão trechos das obras selecionadas. 

No mesmo módulo uma grande instalação passa a ideia da verdadeira multidão de personagens principais e figurantes criados pelo autor. Milhares de fitas similares à tradicional fitinha do Senhor do Bonfim cobrem uma parede, trazendo,em cada uma delas, nomes de outros personagens – sejam fictícios, como Tieta (de Tieta do Agreste), Florzinha (de Tocaia Grande) e Ana Mercedes (de Tenda dos Milagres); ou pessoas reais que Jorge Amado inseriu na ficção, como Getúlio Vargas, Hitler e Lampião.

O segundo módulo apresenta a vida política do autor, que chegou a ser eleito Deputado Federal por São Paulo e era um destacado comunista de sua época. 
O terceiro módulo é dedicado às misturas que, segundo Jorge Amado, caracterizam o Brasil – sobretudo a miscigenação e o sincretismo religioso.Uma grande instalação colorida, abriga resultados de uma pesquisa por amostra de domicílio – PNAD/1976.

O módulo seguinte é dedicado à malandragem e à sensualidade presentes na obra do autor.Através de rachaduras estrategicamente abertas nas paredes, o visitante pode se deliciar com trechos de livros de Jorge Amado.

O quinto módulo apresenta um pouco da Bahia tal como foi ‘(re)inventada’ por Jorge Amado, com suas belezas e suas mazelas.O mar e o cacau, elementos importantes para o universo do autor, estão presentes neste módulo de maneira inusitada.
Casa dos Milagres é o nome do sexto módulo que trará objetos pessoais do autor, correspondências, fotografias e até suas famosas camisas floridas.

A mostra traz ainda espaço para depoimentos de amigos, artistas e críticos ,além de depoimentos de anônimos construindo,assim, uma cronologia sintética da vida do escritor e destacando sua presença internacional, entre outros aspectos. 

Uma das marcas mais fortes do escritor era exatamente a sua capacidade de transitar entre o universo erudito e o popular, entre o terreiro de candomblé e a Universidade de Sorbonne. 

Entre os depoimentos escolhidos, o da sua esposa Zélia Gattai e o da filha Paloma Amado, contam sobre o processo de criação de Jorge, explicando que os personagens normalmente “mandavam”. Por exemplo:em Dona Flor, o autor pretendia que ela fosse embora com Vadinho, mas a protagonista “decidiu” ficar com os dois maridos aqui na Terra. 

Um emocionante depoimento do próprio Jorge Amado contando que, no curto período em que foi Deputado Federal, em 1946, conseguiu aprovar a lei que garante a liberdade de culto no Brasil ,destaca-se na exposição. 

Já na área final da mostra são exibidos muitas edições de livros do autor publicados em diversos países – de uma capa finlandesa de Tocaia Grande a uma edição de bolso francesa de Dona Flor.

Cenografia

O espaço expositivo foi concebido a partir da utilização de símbolos presentes não só na cultura baiana, mas, sobretudo, na vida e obra de Jorge Amado. A cenografia está estruturada em armações metálicas, numa referência indireta às grades de ferro que embelezam muitas casas e espaços públicos de Salvador – entre eles o Solar do Unhão e a Praça Castro Alves. 

Nessa estrutura, que tem ao mesmo tempo papel construtivo e narrativo, estão inseridos símbolos e objetos em sua forma original, como garrafas de dendê, fitinhas do Bonfim com frases especiais impressas, cacau torrado, azulejos brancos e azuis à moda baiana, entre outros elementos que remetem a Jorge Amado e à Bahia.
Fotografias, objetos, folhetos de cordel, filmes, jornais históricos, charges, documentos, ilustrações, correspondências, depoimentos, objetos de uso pessoal entre outros elementos, estão presentes.

Entre eles, foto captada por Zélia Gattai de Jorge Amado com sua mãe Eulália Leal Amado, a Dona Lalu; datiloscrito original de Tieta do Agreste com anotações do autor; ilustração do artista plástico Poty (Napoleon Potyguara Lazzarotto) para Capitães da Areia; camisas floridas características de Jorge Amado.

A exposição propõe um diálogo entre cultura material e cultura digital, havendo a convivência de peças originais com linguagens fílmicas e reproduções.

Espaços

A mostra ocupa a Sala das Exposições Temporárias do museu, localizada no primeiro andar e também parte do segundo andar, com um espaço com livros de Jorge Amado e terminais com muito conteúdo sobre o autor para o público consultar calmamente.

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